segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Mata da Curvachia_Leiria

A mata da Curvachia é um pequeno tesouro natural que se esconde muito perto de Leiria. É uma vasta mata rodeada por pequenas malhas urbanas: a este, Martinela e Vale de Santa Margarida, a sul por Soutocico (freguesia do Arrabal), a oeste, por Vidigal e, a norte, por Charneca da Touria e outros lugarejos.

É constituída essencialmente por um denso carvalhal, com centenas de anos, sendo o mais antigo carvalhal da Península ibérica (alguns afirmam que será mesmo da Europa). isso não quer dizer que as árvores são as mais antigas; apenas quer dizer que mantém esta vegetação de forma constante há mais tempo. nele encontram-se carvalhos centenários, bem conhecidos nas redes sociais.
Apesar desta riqueza, observa-se uma pressão por todos os lados feita pelos pinhais (pinheiro bravo, em menor quantidade, e pinhetro manso, em maior número) e o malfalado eucalipto. isso causa pena, porque os trilhos que bordejam a mata já pouco entram na zona de carvalhal. por essa razão, os percursos traçados devem tentar andar pelo seu interior, sempre que possível. Se alguém quiser percorrer todo o intrincado de trilhos que ela comporta, não o consegue fazer num só dia. Por esta razão é que ninguém faz o mesmo percurso que os outros fizeram, pois não há qualquer marcação e tudo é muito intuitivo.


Fazem parte deste cenário o Vale da Ribeira das Chitas, vale rural com vestígios arqueológicos e agrícolas antigos, e a Mata da Curvachia, mata de carvalhos e de vegetação mediterrânica, com grande valor botânico, onde se encontra um carvalho secular, árvore imponente que deveria fazer parte do nosso património botânico a preservar.


Na mata encontraram-se vestígios pré-históricos, que se poderão associar às comunidades que viveram há milénios no vale do Lapedo, especialmente peças de sílex, utilizadas pelos homens de então.Na exposição patente no Centro de Interpretação do Menino do Lapedo estão expostos os achados encontrados na Martinela, na Ribeira das Chitas e na Mata da Curvachia.
Além de sermos continuamente surpreendidos pelos túneis entrançados de troncos (a fazer lembrar a mata dos Hobbits) é possível ainda  observar alguns poços, construções esparsas de fornos de cal, uma cascata feita de um açude e ainda as lapas, nome que os locais deram às reentrâncias nas paredes cársicas do vale da Ribeira das Chitas, onde terão vivido pequenas comunidades pré-históricas.







Caraterísticas do percurso:
Perfil - Circular ou linear (a decisão depende das conveniências logísticas, no nosso caso apontamos para um percurso circular)
Dificuldade - 2/5  - fácil a moderada
Extensão - variável, mas a versão que se propõe é de 12 km.


domingo, 27 de agosto de 2017

PR1_MRG Foz do Lis e Praia da Vieira



Situada no seio das históricas Matas Nacionais, a Praia da Vieira destaca-se na costa ocidental portuguesa pelas suas origens muito singulares. No extremo norte do Pinhal de Leiria, junto das margens do Lis, cresceu uma comunidade que foi historicamente moldada por circunstâncias ecológicas originais, palco da luta antiga entre a floresta e as areias fortemente batidas pelo vento.


Em 1701 mudou-se o leito do rio, abrindo-se-lhe uma saída no Enleado, 200 metros a jusante do Cais Velho. Num contexto ambiental tão sensível, onde as dunas avançavam 7 a 10 metros por ano, o objetivo daquela obra, e subsequentes, visava o aproveitamento dos campos agrícolas para benefício da Fazenda do Infantado.
Na nossa caminhada iremos percorrer as duas margens do rio na sua parte final, um pouco antes de desaguar no mar.
Ao longo do Percurso Pedonal da Praia da Vieira ficaremos a conhecer alguns dos motivos da singularidade histórica e ambiental da gesta vieirense.
 

Trata-se de uma região costeira resultante da junção de três tipologias de unidades de paisagem: Mata Nacional de Leiria, troço final da bacia hidrográfica do rio Lis e ainda os vulneráveis sistemas dunares associados às praias arenosas.

Com início na margem sul do rio Lis, o Percurso Pedonal da Praia da Vieira desenvolve-se a partir de sistemas dunares, atravessa o núcleo urbano da Praia da Vieira e novamente sobre as dunas, estende-se para o interior da Mata Nacional de Leiria. Sem dúvida que a parte mais bonita é a envolvente das duas maregs do rio. Com a maré baixa é possível observar inúmeras espécies de aves pernaltas a tentar colher o almoço.


Vimos uma belíssima garça cinzenta.

Posteriormente, o percurso sai do ambiente de pinhal e chega à margem sul do rio Lis, onde toda a envolvência é característica dos corredores ribeirinhos fluviais.

Depois de atravessarmos a ponte da Bajanca para a margem norte do rio, o percurso desenvolve-se praticamente em linha reta até ao mar, culminando num dos sistemas dunares mais bem conservados da Praia da Vieira.





Fonte (parcial): C.M. Marinha Grande 

Caraterísticas do percurso.
Perfil - Circular
Elevação - 0-30
Dificuldade - 1/5 (muito fácil) 
Extensão - 11 km.

domingo, 20 de agosto de 2017

Altinho do Gestoso e parte do PR15

Para o segundo dia na serra da Freita na edição de 2017 está reservado um circuito suave e calmo, mas de uma beleza fantástica.

Canta a canção que:
A Sra. da Saúde, a Sra da Saúde
Onde a foram levar
Ao altinho do Gestoso
Viradinha para o mar.
Eis que vamos fazer isso mesmo: numa manhã faz-se tudo. Com saída da casa do Vidoeiro, subiremos a uma quebrada que dá acesso a um trilho (caminho velho) que só os que têm saudades da terra conhecem, como diz a canção. E realmente, nota-se que este trilho não é feito por ninguém, nem autóctones, nem caminheiros, pois não consta de nenhum PR homologado.
Tendo nós passado a portela ou quebrada ao lado do altinho, desceremos suavemente por entre socalcos de pasto e penedos erodidos pelos elementos até começarmos a ver e entrarmos na aldeia do Gestoso.

A parte por onde entraremos apresenta as casa mais antigas, sendo que o resto da aldeia, fortemente marcada pela emigração, apresenta hoje um perfil arquitetónico pouco tradicional.
A partir do Gestoso, fletiremos à direita, em direção ao PR15 que passa perto.




Uns 1500 metros de subida muito suave colocam-nos lá e, uma vez no PR, seguiremos pela esquerda, em direção à Anta da Portela (para alguns é uma revisitação) ponte das lajes e ao fundo, a pedras boroas (outra revisitação).

Depois das pedras boroas seguiremos ainda pelo PR15 até ao cruzamento de onde se avista a casa do Vidoeiro e aí encerramos a caminhada.
Esta zona da serra não sofreu muito com os fogos, porque já não tinha vegetação e era zona de pastagem, que continua a renascer ano após ano.

Drave, a aldeia mágica

A Aldeia da Drave é hoje conhecida por duas razões principais: é a base nacional da 4ª secção do CNE (quer dizer que é a base nacional dos escuteiros, mas só dos caminheiros, os mais velhos, os que têm lenços vermelhos) e é uma aldeia completamente deserta de outros habitantes. Além disso, os seus últimos moradores eram quase todos do mesmo ramo familiar, os Martins, que no início do anos 90 a abandonaram definitivamente.
São dois aglomerados populacionais em ruínas (há alguma habitações que estão a ser restauradas pelos escuteiros), mas a presença humana nunca deixou de se fazer sentir, pois há umas leiras que continuam a ser exploradas para cereal e há sempre a pastorícia que por lá anda.
Os trilhos que lhe dão acesso são dois, ambos lineares, sendo um deles mesmo um PR homologado, que parte de Regoufe e que exige uns bons 12 km de ida e vinda. A outra opção é levar os carros pelo acesso sul, por uma estrada de terra que sai da via alcatroada que vem da Fraguinha e Coelheira e segue para o Portal do Inferno. Aí se devem deixar ficar os carros em pequenos 'parques' laterais à via. Quanto mais velho for o carro ou quanto mais parecido for com um jipe ou TT, mais próximo permite chegar da aldeia. Foi este percurso que fiz recentemente e será o que o grupo da Bota Cansada irá fazer. Deixamos as viaturas a 2 km da aldeia, percorrendo-os a descer, primeiro, e a subir, depois.
A descida e a subida são íngremes, pelo que estes 4 km valem bem uma caminhada dita 'normal'.
No local onde se deixam as viaturas, o cenário circundante é majestoso, vendo-se os picos mais altos da serra da Freita, da Cabreira e de S. Macário. O verde lembra uma aliança de renovação e promessa de vida depois do horrível incêndio de 2016 (que, curiosamente, aconteceu no dia em que estivemos também na Drave, tendo feito o caminho por Regoufe). À medida que nos aproximamos, começamos a ver o casario no fundo do vale, junto à ribeira.



Quando o estradão termina, começa um estreito caminho de carro de bois que ziguezagueia pela encosta e nos leva até duas ribeiras que se encontram na parte oeste da aldeia.

A entrada é feita por uma ponte de madeira e logo aí sentimos o piso irregular das ruas. As casas são todas de xistilho e cobertas por lousas grandes e negras. Quebra esta tipicidade o branco da capelinha que aí existe. Uma vez dentro da aldeia, é impossível perdermo-nos, a não ser pelo encanto do local e pela paz que nos transmite.
Há alguns segredos que convém saber: as melhores poças para tomar banho na ribeira de Palhais são a montante e a jusante da ponte. A maior parte dos turistas fica na poça junto à ponte, mas vale a pena o esforço de subir o leito da ribeira ou descê-lo e procurar as ribeiras de água límpida que por lá se vão aguentando à seca do verão.
Na aldeia destaca-se ainda uma casa maior que, pomposamente, se chama 'Solar dos Martins'.
A memória do local merece as honras prestadas e abandonar a Drave, por qualquer um dos trilhos, ao fim da tarde (o sol desaparece cedo no vale, escondendo-se nos cumes da serra) deixa um sabor de nostalgia e a vontade de voltar. Voltaremos, sim. Será para muitos a primeira vez, mas, para outros, o ansiado regresso.






sexta-feira, 26 de maio de 2017

PR1 MDB - Caminhos da Srª da Graça - Parcial



Quem nunca ouviu falar do Santuário da Srª da Graça, é porque não tem estado por cá. Nesse elevado monte da região de Basto têm terminado épicas etapas da Volta a Portugal.  Mas a importância e a atração do local não se fica pelo mundo das duas rodas. As paisagens largas que o horizonte descobre merecem que, de carro, de bicicleta ou a pé se suba até mais perto do céu e se apreciem as terras do Marão, o Parque Natural do Alvão, as serras  do Gerês e outras mais, sem nome.

O PR1 tem uma extensão de quase 15 km, mas bastam bem os primeiros 8 para deixarem um caminhante KO.
Inicia-se no centro de Mondim de Basto, junto ao Parque Florestal, um espaço bastante agradável que só peca por nele serem depositados os veículos inoperacionais dos serviços do ICNF.
Dá, numa parte do parque, uma impressão de abandono e de sucata, bem desnecessário à vista.
Segue-se o caminho antigo que conduzia ao monte, derivando pelas localidade de Trigal e depois de uma capela (creio que de S- Gonçalo) entramos num lugar chamado Campos. Numas alminhas lá existentes devemos virar à esquerda e passamos Carvalhas,  e é aí que as coisas se complicam, pois começa a subida de quase 3 km que só termina no santuário.
O caminho não passa exatamente por lá, mas fizemos um desvio a um local digno de visita, o Castro Castroeiro, vestígios de uma povoação pré-histórica com espaços ainda muito bem definidos e uma zona ritual interessante.

São visíveis as bases das casa e um conjunto de pedras cerimoniais, com relevos e cavidades que nos deixam  imaginar outros tempos e outras formas de ver o homem, os deuses e o universo.

terminada a visita, há que regressar à rota, continuando a subir e passando por uma fonte. Apanhamos depois uns 500 metros de asfalto e, seguindo as marcas bem visíveis, passamos para a calçada de pedras largas que sobe até ao santuário, passando por 3 capelas votivas, já quase no topo do monte. A descida parece ser fácil, mas é larga. Não fizemos.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

PR3 MDB - Fisgas do Ermelo

Este belo percurso integrado geograficamente no Parque Natural do Alvão apresenta uma diversidade paisagística considerável. É uma rota circular de 13 a 14 km. Há várias maneiras de o abordar, mas a mais frequente é com partida da povoação do Ermelo, uma aldeia que outrora já foi município, com vários pontos de restauração e cafés.






Os veículos podem ficar ao longo das ruas da aldeia, mas não aconselho que os deixem no recinto da mesma, porque as pessoas fecham o portão, uma vez que é propriedade da Fábrica da Paróquia.
Nós fizemos o percurso no sentido inverso. aos ponteiros do relógio. Quase no fim da aldeia aparece um espaço sui generis que um habitante alegrou com cartazes goloridos, onde se podem ler versos e frases de louvor às Fisgas e que antecede uma acentuada descida que. de pedra em pedra, vai terminar junto ao rio Olo, o qual se passa por uma robusta ponte de madeira construída de propósito para o trilho.
Até aqui foi a descer e daqui até quase ao meio do percurso será sempre a subir, em condições de esforço considerável. à medida que subimos e o esforço nos faz parar muitas vezes, a panorâmica começa a fazer-nos sentir bem pequeninos. Avista-se o profundo desfiladeiro onde corre o rio e ao longe as águas das cascatas deixam uma linha branca no meio do verde e castanho da serra. mais à esquerda vê-se uma fenda profunda, com um parede do lado esquerdo com mais de 100 metros de altura. É algo de tirar o fôlego!
Até às Fisgas serão uns 3 km de subida; depois delas o percurso torna-se mais plano, até passar Varzigueto (onde existe uma taberna/restaurante, a tasca do Martins). Depois de cruzar o rio, voltamos a subir até termos uma perspetiva da enorme parede que do outro lado se via, como uma fenda enorme localizada sobre a parte baixa do rio Olo.
Então começamos a descer, bordejando esse enorme precipício e podemos, por duas vezes, abeirar-nos para termos, primeiro, uma perspetiva das fisgas do lado norte e, depois, a partir de um segundo miradouro, do rio lá ao fundo, mesmo muito ao fundo. Na primeira abordagem existe um carreiro íngreme que nos permite descer até à Pioca de cima, uma lagoa escavada na rocha e que, no verão, permite grandes mergulhos e bate cus.
A partir daqui seguimos o percurso descendente, passando no Fojo, onde há uma estrutura do ICNF e uma capelinha.



Assim contornamos a margem direita do rio, inicialmente por terreno descampado e depois por um belo bosque maioritariamente de carvalhos. Quase ao nível do rio aparece uma derivação para as Piocas de baixo. Era antigamente caminho de carro de bois, que termina na ponte de madeira numa descida em degraus, muito difícil, de certeza, para os animais atrelados. 
Passando a ponte sobre o Olo, começamos então a subir, e bem até ao centro do povoado, fechando o circuito.







Em síntese:
Tipo de percurso - Circular, por caminhos de terra e trilho de pé posto.
Extensão - 13,6 km.
Desnível e grau de dificuldade - Subidas e descidas consideráveis. Médio a elevado