quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Las Médulas - terra do ouro



Panorâmica desde o Mirador de Pedrices
As Médulas é uma povoação e, ao mesmo tempo, o nome de um complexo mineiro localizado na província de Ourense, Sudeste da Galiza. É essencialmente o resto de uma enorme mina a céu aberto que deixou marcas indeléveis na natureza que lhe dão uma beleza enorme pela cor e as formas daí resultantes. Pode ser visitada e vista de dois pontos de vista: através de um trilho periférico (Senda Perimetral) ou um trilho mais interior (Senda de las Valiñas).
Início do circuito das Valiñas, à saída da povoação.


A “Senda Perimetral”, como se deduz do nome, é um trilho circular mais abrangente, que cobre o perímetro da mina romana de ouro das Médulas e permite compreender o processo mineiro de um modo global. Para isso oferece informação sobre todos os aspetos do processo de exploração, já que através dele se podem observar distintas técnicas mineiras romanas, diferentes elementos da rede hidráulica, as derrocadas das minas, as múrias, os canais de lavagem, etc.
Galeria visitável no Mirador de Orellán.
Pode aceder-se a este trilho por diversos pontos. Entre eles destacam-se a povoação das Médulas, a povoação de Orellán, de Carucedo e de Yeres. Encontramos depois vários pontos de interesse, todos com painéis explicativos e interpretativos daquilo que a vista alcança. No Mirador de Orellán tem-se uma panorâmica elevada da cova e podem visitar-se as galerias subterrâneas escavadas no conglomerado aurífero.

Mais adiante consegue ver-se um pouco do canal de Pena Escribida, que conduzia a água advinda de a mais de 100 km. de distância,
Um resto do canal em Pena escribida
o campo de Braña, onde se localiza um depósito romano de distribuição de água
Campo de Branã
e o Mirador das Pedrices, de onde melhor se entende o funcionamento dos canais de lavagem e de evacuação dos estéreis e o impacto da mineração sobre todo o ambiente circundante, que acabou por dar origem aos lagos e lagoas das Médulas.
Em alguns pontos é possível aceder ao circuito mais interior, a Senda de las Valiñas, que nos conduz a outros pontos de interesse e nos leva pelo interior do souto que hoje povoa a antiga mina a céu aberto.
Este breve percurso de uns 2,5 km. é muito bonito e deslumbrante. Independentemente da estação do ano, será sempre belo, porque no verão o verde do souto secular oferece toda a sombra desejável e no outono as cores amarelas, douradas e vermelhas das folhas tornam o cenário fabuloso.



Neste circuito circular deparamo-nos com as paredes nuas das derrocadas, com muitos metros de altura, semelhantes a catedrais e castelos sem rei, onde é possível observar as diferentes camadas geológicas e a composição dos solos que ditaram o uso das técnicas de escavação utilizadas.



Inicialmente a mina era uma mina a céu aberto, com a retirada dos inertes para pontos de lavagem e depuração do ouro. Mais tarde, a diminuição do teor do ouro fez com que se usasse uma técnica de derrocada em que o segredo estava em escavar largas galerias ramificadas na vertical que eram enchidas com água chegada de bacias hidrográficas distantes (algumas a mais de 100 km.) e essa pressão fazia com que as arribas desmoronassem em lamas que eram arrastadas pelos canais de escoamento e depois de lavagem, deixando o metal, que era mais pesado. Ainda hoje se veem montes de vários metros de altura compostos apenas com seixos rolados, as chamadas ‘murias’.
Inicialmente estes inertes eram transportados para locais previamente escolhidos, constituindo montanhas artificiais, mas depois, na fase final, começaram a ser um estorvo intratável, pelo que os resíduos começaram a obstruir os canais de escoamento, dando origem às lagoas e lagos que existem próximos da povoação. (Laguna Larga, Laguna Pinzais e Lago Somido)









Das galerias restam hoje 3 grandes pontos: a Cuevona (o nome não engana),

a Encantada

e as galerias visitáveis do Mirador de Orellán.

É uma visita marcante que nos vais encantar de novo, quando lá voltarmos.










segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Santuário das Ermitas e Torre do castelo de O Bolo




No município de O Bolo, na província de Ourense, encontram-se dois pontos de grande interesse patrimonial e que merecem seguramente um visita com detalhe: o Santuário das Ermitas e a torre do Castelo de O Bolo


 O Barroco churrigueresco num enclave pitoresco


O santuário das Ermitas foi mandado construir pelo Bispo de Astorga D. Alonso Messía de Tobar como forma de agradecimento à Virgem pela cura de uma grave doença. A sua fachada é obra barroca churrigueresca (barroco demasiado extravagante, passe o pleonasmo), com decoração muito trabalhada, neste caso em pedra de granito, como se fosse um retábulo e rematada por duas torres. A obra é de Manuel e Francisco de Lastra., realizada entre os séc. XVII e XVIII. 

Apresenta um adro frontal, em cujo centro se situa um cruzeiro que simboliza a árvore da salvação, sobre um pedestal alegórico, do século dezoito. 
Este adro é fechado pela esquerda por um conjunto de pórticos com lintel e pela direita por um edifício majestoso, em granito, que faz parte da administração do santuário. No século XX, a casa da administração funcionou durante duas décadas como filial do seminário menor de Astorga. A separá-lo da rua, a leste,  apresenta um gradeamento magnífico em ferro forjado.




 






 A igreja apresenta uma planta de cruz latina com três naves de desigual largura. Possui uma capela-mor e cruzeiro. Esta igreja, devido à orografia do terreno, está localizada contrariamente à liturgia, pois, em vez de estar ‘orientada’, está ‘ocidentada’, isto é, a abside escavada na rocha está orientada para ocidente e a fachada para oriente.
Apresenta uma Viacrucis inspirada no santuário do Bom jesus de Braga. É formada por catorze estações e a Ressurreição, sendo que as quatro primeiras se encontram ainda dentro do adro.
 Foi, durante largos anos, local de devoção de milhares de peregrinos de toda a Galiza sul e do norte de Portugal.


Torre do Castelo de O Bolo

Localiza-se possivelmente num lugar outrora ocupado por um antigo povoado castrejo, mas só no século XII apareceram as primeiras referências documentais ao castelo, documentos onde se relata sua fundação real.
No século XIV, o rei Pedro I de Castela concedeu à vila foro de realengo, em agradecimento à sua fidelidade na guerra civil que o opunha a Henrique de Trastâmara.
No século XV, o rei João II de Castela confirmou os privilégios da vila, na altura em que concedeu a fortificação aos condes de Benavente.
A fortificação também pertenceu aos condes de Lemos, inimigos acérrimos dos de Benavente, que chegaram a possuir o título de Condes do Bolo.
O castelo medieval possuiu planta retangular com sete cubos e a torre de menagem. A torre foi reedificada por Xoán Pimentel no século XV, seguindo o estilo ogival.
A torre de menagem é de planta quadrada. Construída em perpianho de granito bem lavrado, alcança uma altura de 18 metros e cerca de 10 metros de lado. Não conserva nem o ameado nem o beirado. Aquilo que hoje se vê é  reconstrução recente, até porque o granito azul da torre difere bem do granito doce das ameias e do beirado.
Distribui-se em 3 andares e uma cave com abóbada de canhão apontado, reforçado por 3 arcos. Tem-se acesso à torre mediante uma porta de acesso em altura, aberta no primeiro andar.
No interior, podem-se apreciar a entrada do subterrâneo, os algibes e um quarto.
Abre-se outra torre de arco apontado que permite o acesso ao pátio de armas. A partir da porta de entrada ao pátio de honra, apresenta um arco de volta perfeita. Junto a esta porta conserva-se uma torre cilíndrica e parte da cerca defensiva, com uma grossura de 2 metros e 25 centímetros, que conserva vários sinais de canteiros.

Além destes elementos, conservam-se outros como o algibe (cisterna)
e muralhas com o adarve (ponto de passagem para as rondas).
No seu interior encontra-se uma construção restaurada que evoca parte da vida dentro do castelo.



A povoação de O Bolo é hoje bastante pequena, com pouco mais de uma centena de casas, mas apresenta algumas com arquitetura muito marcante e digna de nota. A sua igreja, como quase todas as igrejas galegas, encontra-se rodeada pelo cemitério, e é necessário contorná-lo na íntegra para podermos ver a fachada principal, com a permanência de uma porta românica simples, de duas voltas.