sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

PR2 ALB - Trilho dos 3 Rios


 O PR2 de Albergaria, mais conhecido como Trilho dos três rios, é um dos mais bonitos percursos pedestres de Portugal. Indubitavelmente o colocarei nos 3 primeiros lugares dos trilhos que fiz até hoje. Principalmente pela beleza que nos acompanha nos primeiros 4 km. (Seguindo a orientação e tendo o mesmo ponto de partida que nós tivemos).
O trilho tem este nome porque percorre os vales de 3 rios (o Filveda, o rio Pequeno - ribeira de Felgueira - e o rio Caima)

Começámo-lo em Ribeira de Fráguas, junto à Igreja Matriz de S. Tiago, que remete para o séc. XVII e seguimos o sentido inverso aos ponteiros do relógio. Logo após termos percorrido algumas ruas  e ruelas labirínticas da aldeia, seguimos o vale do rio Fílveda, começando logo pelo Parque dos Moinhos, que se estende por quase 1 km.



É  possível visitar 3 destes engenhos de água, todos eles em funcionamento: Moinho de Baixo e Moinhos da Quinta da Ribeira.

O percurso continua pela subida do rio Fílveda, podendo-se observar paisagens deslumbrantes, desenhadas por pequenas cascatas e açudes.
Aqui encontra-se o Cabouco, antiga mina onde existia uma roda motriz movida pela água do Açude dos Ingleses. Esta roda fazia movimentar o elevador do poço das Minas do Coval da Mó, primeiro testemunho arqueológico da indústria mineira.
Este magnífico percurso atravessa ainda os campos agrícolas onde é possível avistar-se o lugar de Vilarinho de S. Roque e onde se pode visitar o lugar do Regatinho, o núcleo molinológico em funcionamento e a capela de S. Roque do Séc. XVII.
Nesse núcleo há dois moinhos de rodízio, com um casal de mós cada,  e são acionados pelas águas do rio Fílveda, antes de dar uma larga volta e virar em direção a Ribeira de Fráguas.
Chamam-se Moinho da Quingosta e Moinho do Silva e são pertença de várias famílias que, numa escala de horas, ainda hoje moem farinha para animais ou para fazer broa e papas de carolo. Todo o lugarejo está bucolicamente decorado com vasos suspensos e os moinhos não escapam a essa tradição.
Aqui começam as subidas por mais de 700 metros, o que torna o percurso de dificuldade moderada por isso mesmo. Num quilómetro fazemos um ascendente dos 30 aos 309 metros, o que dá uma inclinação respeitável. Passamos então pelo Centro de Atividades Radicais e Ambientais de Vilarinho de S. Roque e seguimos em direção à ponte do Lagar de Azeite, no lugar de Telhadela, mas antes passamos no Cabeço dos Mouros onde é possível fazer um desvio de 800m e encontrar vestígios de um monumento megalítico, a Mamoa de Castro (não o fizemos). Continua até às ruínas do Lagar do Azeite, junto à ribeira da Felgueira (Rio Pequeno).
O Lagar era uma estrutura singular na região, constituída por duas prensas de vara e foi abandonado no séc. XX. Neste local encontra-se também a Ponte do Barro Negro (ponte de arco quebrado)
O trajeto ladeia a margem da ribeira da Felgueira (rio Pequeno), onde se pode contemplar o lugar milenar de Telhadela. Passa ainda junto aos moinhos desativados, próximos do complexo das Minas do Palhal, onde se pode observar a Ponte Negra, ponte sobre o rio Caima, composta de carris de ferro cuja função era a de transportar, através de vagonetes, minerais entre as margens. No mesmo local, existem ainda as ruínas da lavandaria do minério, pertencentes à casa grande que servia de residência ao Engenheiro da Companhia da Mina de Telhadela. Prossegue depois em direção à Ponte do Palhal, construída em 1776, que liga as freguesias da Branca à Ribeira de Fráguas, onde se vislumbra o Alto dos Barreiros com uma vista panorâmica sobre o vale.
Desce em seguida até à Ribeira de Fráguas, onde encerramos a volta de uns 15 km.


 Em síntese:
Distância: 15 km, não fazendo o desvio para as ruínas da mamoa.
Grau de dificuldade: moderado, pela distância e pelas 2 subidas. (3 em 5) 
Perfil: Circular em ambos os sentidos. Duas subidas consideráveis; a primeira, de quase 1km, logo a seguir a Vilarinho, para permitir passar o monte para o vale oposto e a segunda a seguir à ponte do Palhal, antes de começar a descer para Ribeira de Fráguas, com uns 300 mt.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

PR2 ANS - Rota Romana - abreviado


O PR2 ANS - Rota Romana é um percurso de pequena rota, mas que surge classificado no folheto da Câmara de Ansião com sendo de dificuldade de 4/5. Só se for pela extensão. Na realidade, o percurso todo tem uma extensão de 17,5 km, ligando o Parque verde de Ansião a Santiago da Guarda e regresso ao ponto de partida. Por essa razão, a proposta que aqui apresentamos vai reduzir essa extensaõ e torná-lo mais ajustado aos perfis de caminhadas da Bota. Além disso, conseguimos juntar o melhor que este caminho tem.
O ponto de partida será junto às alminhas do Lousal, seguindo depois para a povoação de Pinheiro, Tarouca e a lagoa de Soucide, onde uma bomba manual ainda é a única forma de tirar água para a fonte e os lavadouros. Junto à lagoa encontram-se vários poços tradicionais, hoje já não usados. A forma de retira água desses poços eram as cegonhas ou bimbarras:


Seguimos sempre por caminhos florestais e agrícolas, bordejados pelos chousos, os famosos muros de pedra empilhada, que dividem os campos e permitiam limpar desta forma os terrenos para cultivo.
Desta forma, seguindo os ponteiros do relógio, entramos em Santago da Guarda, conhecido pela casa senhorial dos Condes de de Castelo Melhor, um belo edifício rural, com estilo manuelino e uma torre fortificada. Descobriu-se em 2002 que as fundações e paredes do edifício eram a continuidade de uma villa romana do século IV ou V e hoje os mosaicos das salas estão à vista (não pudemos entrar, mas espreitei pelas janelas...)


Na povoação existem todas as estruturas e serviços necessários, incluindo um belo parque de merendas de que podemos usufruir para descanso e retempero de forças.
De Santiago da Guarda até ao ponto de partida o caminho revela-se um pouco mais agreste, mas talvez mais belo. Sempre por meio de floresta, de carvalhais seculares, passamos perto de Matos de Santa Bárbara, Estrada e Vale de Boi, sempre próximos a uma antiga e importantíssima estrada romana, da qual hoje só se pode ver um pequeno segmento.

Deixando a variante de Ansião de parte, o percurso queda-se pelos11 km, baixa dificuldade e perfeitamente realizável em apenas uma parte do dia, manhã ou tarde.
Em síntese:
Perfil - Percurso circular de 11 km, uma das variantes do PR2 ANS. Caminhos de terra ou estradão de macadame de uso agrícola ou florestal. Sem grandes desníveis.
Grau de dificuldade - Fácil (2 em 5).
Folheto do percurso integral e com as variantes aqui.
GPX do percurso realizado aqui.




domingo, 27 de novembro de 2016

PR1 de Penacova - 1ª parte - Do Mondego ao Penedo e aos fornos de cal.

O PR1 de Penacova é, para qualquer época do ano, um percurso belíssimo, de paisagens de tirar o fôlego devido aos desníveis e consequentes panorâmicas e é também ... muito extenso. Para um dia de inverno ocupa quase todo o dia solar; para um dia de verão mata nas subidas. Assim sendo, nada melhor do que quebrar este percurso a meio e fazer uma das partes na primavera/outono e a outra no verão.
Para já, proponho-vos a 1ª parte. É um percurso circular de 11.2 km, que parte da ponte junto ao restaurante Côta e começa logo numa subida considerável até ao mirante Emygdio da Silva, um local privilegiado pela natureza. Foi construído no por este político e projetado por Nicolau Bigaglia em 1908. As colunas que o suportam foram trazidas do Mosteiro de Lorvão.
Dai se pode fazer uma primeira observação panorâmica sobre o rio, quer para montante, em direção a Vila Nova, quer para jusante, em direção à praia do Reconquinho, quer para a margem sul, onde se exibem orgulhosos os quartzitos que, mais acima assumem a configuração das 'Livrarias do Mondego'.

Atravessando o casco urbano, com belas ruas e bonitos recantos, cegamos ao largo central de Penacova, ao miradouro célebre pela Pérgola de Raul Lino. Daí, as perspetivas do rio alargam-se para jusante, até ele se escapulir na curva:


Em seguida. este PR segue para o parque verde de Carrazedos, onde se pode descansar, merendar e conviver nos espaços que convidam a estar.
Segue-se daqui em mais uma boa subida até alcançar a estrada municipal e, em plano menos acentuado atravessa-se a Cheira, derivando depois numas escadas para uma forte subida até ao Pendedo de Castro. Neste local observa-se uma das maiores vistas panorâmicas do Concelho. Daí de veem os moinhos da serra da Atalhada. O nome foi concedido para glorificar a memória do escritor Augusto Mendes Simões de Castro.
Mas não se pense que as subidas terminraram. Apesar de este ser o ponto mais alto do percurso. loho após uma descida em estrada de alcatrão somos obrigados a desviar à esquerda, por meio de eucaliptal e a realizar uma subida jeitosa. Esta sim, será a úlima. A partir daqui descemos sempre por cenário de floresta até à estrada e à ponte de Casal de Santo Amaro, a partir de onde seguiremos a margem direita da ribeira até a cruzarmos mais à frente e chegarmos aos Fornos da Cal. No início do século XX Penacova era considerada uma dos maiores produtoras de Cal Parda. A presença de matéria-prima, o calcário, foi um factor determinante para a construção de um conjunto de fornos na região. A maior extracção e produção realizava-se numa aldeia perto de da vila de Penacova - Casal de Santo Amaro. Uma parte destes fornos foi recuperada pelo Centro Recreativo desta localidade, com o apoio da Câmara Municipal de Penacova e foi introduzido um Núcleo Museológico, para homenagear os Cabouqueiros e os Carpinteiros da região.


A partir deste local será necessário regressar pelo mesmo trajeto (ou pela estrada), até passar por baixo da ponte que liga o IP3 à vila e seguir pela margem esquerda da ribeira, em direção ao Mondego. Passa-se por uma paisagem bucólica de águas rumorosas e mesmo á porta da bela casa da Quinta da Ribeira.
Chegados à povoação da Ponte encerramos esta primeira volta do PR1, após termos percorrido uns bons 11,2 km, com subidas e descidas consideráveis.
Mais tarde dar-vos-ei notícias da 2ª parte, plana e com muita água junto ao rio. Fica para o verão.
Em síntese:
Extensão do percurso - 11.2 km.
Grau de dificuldade - médio/elevado (3,5 em 5).
Perfil - Piso bom, estrada ou estradão e, raramente, trilho de pé posto. No sentido descrito, haverá 4 subidas consideráveis e 2 descidas. 
Ficheiro GPX - aqui.
Folheto - aqui.



domingo, 2 de outubro de 2016

PR1 Pateira

O PR1 de Águeda, o percurso que ladeia a Pateira mais conhecida como Pateira de Fermentelos, nada tem a ver com  Fermentelos. Na realidade, todo ele decorre pelas povoações de Espinhel e de Óis da Ribeira, ou seja, pela margem leste e norte da lagoa. Sendo circular, pode começar em qualquer dos locais, mas recomendo o seu início no Parque de Merendas do Espinhel e seguir o trilho no sentido dos ponteiros do relógio. A beleza do trajeto é bastante conhecida, quer pelo elemento aquático que encerra, quer pela fauna que é possível observar.
Vejam algumas fotos e um pequeno filme que elaborei há tempos

Do parque do Espinhel

Ponte junto a Óis da Ribeira

Troço do Rio Águeda

Paredes de arenito na vertente junto à zona pantanosa de Óis da Ribeira

Vídeo (Feito em 2014, no inverno. Por isso a paisagem agora é bem diferente, cheia de verde e não liguem às datas...)
 
Perfil do percurso - Circular
Extensão - 11 km. (deixando dois pequenos desvios por fazer)
Grau de Dificuldade 1/5
GPX do trilho Pateira


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Castelo de Vide é já ali e Marvão Logo após


Castelo de Vide é já ali e Marvão Logo após. 

Esta é uma atividade que cativa pela beleza dos cenários. São dois dias fascinantes de caminhadas, belas paisagens, lazer e património. Implica disponibilidade para um fim-de-semana completo.
O percurso central da caminhada é o PR1 CVD, isto é, um percurso de pequena rota em Castelo de Vide, de perfil circular e caminhada fácil/moderada (diria que de nível 2.5 numa escala de 5)
Num dos dias, será esta a atividade central. O percurso segue muito próximo às cristas quartzíticas sobranceiras a Castelo de Vide, tendo o seu ponto mais alto na Ermida da Sra. da Penha. Para os mais aventureiros existe uma via ferrata de poucas dezenas de metros.
O percurso fecha depois numa calçada medieval descendente e termina junto ao cemitério. É de uma beleza ímpar, com muitas fontes e sombra. nem parece Alentejo...
Fecha-se bem este dia com uma visita pela bela brancura da localidade, com as suas ruas com heranças e memórias cristãs, árabes e judaicas (existe uma sinagoga em castelo de Vide).
No segundo dia poder-se-á optar por dois tipos de programa. O primeiro é uma sugestão para visitar Marvão, altaneira e vigilante, a poucos quilómetros de distância.

Ou realizar uma rota de carro pelos principais marcos megalíticos da região, entre dólmens e menires, passando pela albufeira de Póvoa e Meadas.



A data ideal será o primeiro fim de semana de maio. 
O alojamento sugerido, dependendo da época do ano, pode ser desde camping até alojamento em Hotel, sendo de notar que em Castelo de Vide existe um Hotel do INATEL, sempre a preços um pouco mais módicos e serviço de qualidade (quartos a 38 euros na época baixa e há ainda protocolos de descontyo, como, por exemplo, associados da DECO, de algumas associações profissionais, etc.).

quinta-feira, 2 de junho de 2016

XXIVª Caminhada - A contar as pedras e as estrelas da Freita

 A 24ª caminhada da Bota Cansada será no fim de semana de 10 e 11 de Setembro. O local escolhido é a Serra da Freita, na zona do Merujal, Frecha da Mizarela, pedras Boroas, pedras parideiras, etc.
As caminhadas serão duas, de caráter exploratório, numa combinação de percursos de interesse diverso.
O modelo de alojamento será na casa  abrigo do Vidoeiro, a antiga casa do guarda florestal, que terá de ficar toda por nossa conta. O espaço permite alojar 29 pessoas, com as seguintes tipologias:
4 quartos (de 1 cama de casal e um beliche para 2 pessoas) e a camarata com 13 camas. Também permite acampar junto ao espaço, ficando, talvez, mais barato. Os preços serão divulgados brevemente.  (As fotos que se seguem foram retiradas de um evento do Clube Centro Aventura)

Espaço interior da casa/abrigo

Espaço Envolvente
 O modelo de atividade permite participar em cada um dos dias separadamente ou em ambos.  Na altura da inscrição será pedido às pessoas que paguem o valor do alojamento, que será de 6,5€. É possível alugar um quarto para casal em privado ou para 3, pagando, no entanto o valor de 4 pessoas.
 PROGRAMA
Dia 10 -  Caminhada mais larga, que permitira visitar duas construções pré-históricas
Mamoa da Portela

Mamoa do Monte Calvo
Outras mais recentes
Ponte perto de Albergaria das Cabras
e ainda formações naturais
Pedras parideiras

Pedras Boroas
Dia 11 - Passeio por património construído. Pelo Gestoso e Gestosinho e ainda visita a um miradouro fabuloso sobre as 3 serras.
Gestoso

Gestosinho

Panorâmica do Detrelo da Malhada

A não perder. Email para botacansada@gmail.com